Por ocasião do Dia Internacional da Mulher, o Diretor-Geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Gilbert F. Houngbo, destacou a importância do contributo das mulheres para o funcionamento das economias e das sociedades, sublinhando a necessidade de reconhecer e valorizar plenamente o seu trabalho. Na sua intervenção, salientou o papel vital das mulheres nas economias e nas sociedades, quer através de trabalho remunerado quer não remunerado, defendendo o reforço de políticas e medidas que garantam igualdade de direitos e oportunidades na vida económica, social e política. Apesar deste contributo essencial, muitas mulheres continuam a enfrentar obstáculos à sua plena participação no mercado de trabalho. Estima-se que cerca de 708 milhões de mulheres em todo o mundo estejam fora da força de trabalho devido a responsabilidades domésticas e familiares, apesar de muitas desejarem exercer uma atividade remunerada. Neste contexto, recorda que os direitos das mulheres são direitos humanos e que todas as mulheres trabalham, independentemente de esse trabalho ser remunerado ou não. O trabalho das mulheres é essencial para o funcionamento das sociedades e deve ser devidamente reconhecido e valorizado.
A OIT, através da publicação da Nota de investigação sobre IA generativa, segregação sexual profissional e igualdade de género no mundo do trabalho alerta, ainda, que as transformações tecnológicas em curso, nomeadamente a expansão da inteligência artificial generativa (Gen AI), levantam novos desafios para a igualdade de género no mundo do trabalho. Estudos recentes da organização indicam que as profissões com maior presença feminina apresentam maior exposição às tecnologias de inteligência artificial do que as profissões dominadas por homens, refletindo padrões persistentes de segregação sexual profissional. Ao mesmo tempo, as mulheres continuam sub-representadas em áreas tecnológicas estratégicas, representando apenas cerca de 30% da força de trabalho em inteligência artificial, o que pode limitar a sua participação nas oportunidades emergentes associadas à transformação digital.
Desde os enquadramentos macroeconómicos às estratégias sectoriais e às políticas de emprego, é essencial integrar deliberadamente a perspetiva de género na conceção das políticas públicas. Neste sentido, publicações como ”Políticas Nacionais de Emprego Sensíveis ao Género: Um caminho para a igualdade de género” e artigos como “O que são políticas de emprego sensíveis ao género?” têm sensibilizado para a necessidade de reforço de políticas de emprego sensíveis ao género, capazes de promover igualdade de oportunidades e garantir que as transformações tecnológicas contribuam para mais e melhores empregos para mulheres e homens.
Veja também:
- https://www.ilo.org/resource/statement/turning-commitments-action-women-work
- https://www.ilo.org/publications/gen-ai-occupational-segregation-and-gender-equality-world-work
- https://www.ilo.org/resource/article/what-are-gender-responsive-employment-policies
- https://www.ilo.org/publications/gender-responsive-national-employment-policies-path-gender-equality
Fonte: OIT
